Escreva o nome de um músico angolano e talvez encontre uma música nos resultados.

Wassamba, a diva!

Fonte: O País

O País Online

 

 

maradlv


 

Mara

Dalva

 
 
 
 
 
 

Jornalista, pivot do serviço de notícias da Rádio Luanda.

 
O céu é o limite

Aos 28 anos é uma das jornalistas mais prestigiadas e reconhecidas. Angolana, de origem guineense e são-tomense, mostra uma maturidade fora do normal. Não se deixa envaidecer. Mas sempre vai dizendo, “o céu é o limite. Quero as estrelas se for possível”


Mara Dalva é uma jovem reconhecida pela qualidade do seu trabalho. Começou na Rádio Luanda há 7 anos e, hoje é um dos pivots do principal serviço de notícias radiofónico do país. Após ter sido nomeada “Diva da Comunicação Social” em 2007, este ano foi novamente nomeada para o prémio Angola 35 Graus (cujos resultados já serão conhecidos quando esta revista saír em banca) como uma das jovens com idade até 35 anos que mais se destacou na sua profissão. “Também já trabalhei num restaurante” confessa-nos a jovem. Com 28 anos de idade sente-se realizada, mas declara que “o céu é o limite. Quero as estrelas se for possível”.

Tendo a informação como o seu género de eleição na comunicação, não descarta a possibilidade de apresentar um espaço de noticiário televisivo. Aceitou conversar connosco sobre as motivações e o trajecto que a levaram até ao lugar que ocupa hoje. Mas também da sua vida pessoal e dos sonhos que a acompanham.

Sempre atenta à sociedade que a rodeia, destaca a importância dos jovens na sociedade, mas entristece- -se pelo facto de não fazerem o que gostam e correrem apenas por dinheiro. “Quando mudei da restauração para a comunicação social os salários não eram atraentes como hoje o são. Graças a competitividade no sector já melhoraram. É necessário ter em conta que Angola é um país em crescimento e, os mais diversos sectores estão a desenvolver-se aumentando a competitividade entre as diversas empresas. A abertura no mercado e a concorrência ajuda a valorizar os profissionais.”


Como se define?

Ao contrário do que muitas pessoas dizem, pelo facto da minha mãe ser guineense e o sobrenome Dalva ter raízes são-tomenses, eu sou angolana. Nasci, cresci, enfim, toda minha vida fez-se em Angola. Apenas saí do país na adolescência para uma curta passagem em Portugal. Algumas pessoas ao longo destes anos perguntaram-me se tinha cartão de estrangeira residente. Eu respondo sempre dizendo não é suposto alguém que nasceu em Angola e, cujo pai seja angolano, ter nacionalidade angolana?


Conte nos um pouco da sua história?

Sou uma rapariga filha de pai angolano e mãe são-tomense, nascida em Luanda, a mais nova de quatro irmãos o que justifica ser muito minada por todos (risos). Já fui secretária administrativa de um restaurante antes de ser jornalista. Considero-me muito trabalhadora e, amiga de todos os que me querem bem.


Jornalismo foi um sonho ou uma casualidade?

É um sonho. Porque antes de ser jornalista já ouvia a Rádio Luanda regularmente. E admirava o trabalho de jornalistas de outros órgãos de comunicação social que eram os ícones do jornalismo angolano, como o Ernesto Bartolomeu, a Ana Lemos, Antónia Pacavira. E principalmente os radialistas da rádio Luanda como o Salú Gonçalves, o Mateus Cristóvão e, o meu querido tutor do estágio, o Paulo Miranda.


Como entrou para este meio da comunicação social?

Deixei a restauração por querer fazer algo que tinha muito mais a ver comigo. Liguei para a rádio Luanda e, por incrível que pareça quem me atendeu foi o Salú Gonçalves (e olha que é raro ser o próprio Salú a atender). Como ia dizendo ele atendeu e eu fiz a melhor voz que possuía. Disse-lhe que queria ser jornalista e ele marcou uma data para que fosse fazer um teste. Chamou o Paulo Miranda e outros colegas, deram- me um texto e, após ter lido repetidas vezes, eles aprovaram-me e cá estou até aos dias de hoje.

Isto foi há quanto tempo?

Foi em 2002, na altura tinha 22 anos. Já lá vão sete anos.


Como encara o facto de ter sido escolhida como Diva da comunicação social no ano passado bem como passar a ler os noticiários na RNA?

Ah! Dá-me um orgulho tão grande, mas tão grande! Para dizer a verdade, qual é o profissional que após sete anos vê o seu trabalho reconhecido e não fica radiante! E orgulhoso! Para mim, ter sido nomeada “Diva da Comunicação Social”, bem como passar a ler os noticiários da Rádio Nacional de Angola é o auge da minha carreira. Mas não se pense que para mim é tudo. Quero mais. Se o céu é o limite, quero as estrelas se for necessário. Tenho de me empenhar mais e trabalhar com maior dedicação para atingir outros patamares. E aproveito a oportunidade para agradecer a quem sempre me apoiou.


Quanto mais visibilidade se tem, maior a pressão. Como lida com ela?

Infelizmente ainda muito mal. Porque a partir do momento em que nos tornamos conhecidos, as pessoas acham-se no direito de se meterem nos nossos assuntos. Todo o mundo quer dar palpites. Há pessoas que gostam do meu trabalho mas também existem aqueles que não gostam. Até aí tudo bem. Mas isto não lhe dá direito de difamar quem não conhecem ou que conhecem apenas por capricho. As pessoas têm de aprender a respeitar mais os outros. As críticas são bem- -vindas. Quando verdadeiras não aborrecem. O pior são as outras. Mas já estou na fase em que estou a aprender a lidar melhor com esta situação.


Considera-se uma estrela?

Ainda bem que me pergunta isto. Eu costumo sempre dizer que é preciso ter muito cuidado. Porque hoje somos estrelas mas amanhã poderemos ser ofuscados. Todos os dias aparecem pessoas talentosas e, se não tivermos cuidado desaparecemos. E eu não gosto de correr este risco. Por isso trabalho arduamente e procuro sempre aprender porque nunca se deixa de aprender. Não me considero uma estrela. Considero-me apenas alguém competente e cujo trabalho tem sido reconhecido pelo público. Sem nunca perder o que me fez chegar até aqui.


Mas nem sempre é assim. Não acha que corre o risco de perder a humildade?

Considero errado acharmos “eu sou bom”! Sou uma estrela e agora o meu estrelato que fale por mim. É necessário prestar atenção ao que fez de nós quem somos, ao que nos ajuda a ser célebres e respeitados como profissionais e, melhorar sempre! O que é que fez de mim o que sou? Foi a vontade de aprender, a disciplina, a humildade, e o facto de conhecer as minhas capacidades, mas também conhecer as minhas limitações e trabalhar sempre para melhorá-las. Na verdade as nossas limitações são infinitas. Por isso eu penso que podemos desfrutar do reconhecimento do nosso trabalho mas nunca nos devemos envaidecer.

Falando em prémios vem aí o “Angola 35 Graus” e ao que sabemos também está nomeada para a categoria da comunicação social...

É uma grande satisfação estar entre os nomeados. Repare que este prémio é para jovens com idade até aos 35 anos que se destacam nas suas actividades. Quer seja empresarial, comunicação social, académico, científico, enfim, qualquer sector que ajuda esta Angola a crescer. Para mim este prémio é muito importante por se estar a valorizar a juventude. Este reconhecimento demonstra respeito pelo trabalho dos jovens que são o principal pilar desta sociedade.


Pensa ganhar?

Estar entre os nomeados é uma honra. Mesmo que não ganhe, só o facto de estar entre os nomeados é uma satisfação enorme. E olhe que foi o mesmo público que votou em mim para as “Divas 2008”. Só tenho de agradecer a confiança e trabalhar para não os desiludir.


Falando dos jovens, como avalia a prestação dos mesmos na sociedade?

Eu penso que é boa. Em particular na comunicação social que é o ramo em que estou inserida e, onde vejo que já há muitos jovens a fazer bem o seu trabalho. Estão a fazer bem o seu papel que é injectar sangue novo nas veias da comunicação social. Nas outras áreas também se nota isto. Mas falo apenas da comunicação social porque é o sector em que estou mais atenta e isso é visível.


Os jovens têm também alguns problemas ao nível dos valores...

O que não gosto na juventude é o facto de fazerem cursos porque acham que lhes vai dar dinheiro. Muitos jovens não exploram as suas potencialidades. Preferem antes fazer as coisas só por dinheiro e, isso não está certo. Esta deve ser uma das razões do fraco índice de aproveitamento existente nos nossos institutos e universidades.


Explique melhor...

Vou dar-lhe o meu exemplo. Eu estive dois anos a fazer o curso de História. Chegou uma altura que eu via que a minha prestação apesar de ser boa, ainda não era a desejada. Foi quando descobri que queria fazer comunicação social e desde que mudei sinto-me realizada. Vejo que estou numa área onde poderei colaborar muito mais para o crescimento deste país. O meu índice de aproveitamento já melhorou bastante. Tanto que já estou no quarto ano e, daqui a pouco, estarei a apresentar a minha monografia.


Tem tempo para isso tudo?

Reconheço que estou em falta com estudos por má gestão do tempo. Estou a trabalhar para isso. Sinto-me bem com o que faço. Sou reconhecida pela minha actividade profissional. Sente-se recompensada?

Quando mudei da restauração para a comunicação social os salários não eram tão atraentes. Graças à competitividade no sector esse factor já melhorou. Ou seja, a abertura no mercado e a concorrência ajudam a valorizar os profissionais.


Disse que nunca teve muito jeito para entretenimento…

É verdade! Senti sempre que a minha área era a informação. Já tentei várias vezes entreter e foi um fiasco. Prova disso foi que uma vez estive a ler o “Dicas e Dicas” e não me saí lá muito bem. Porque lia aquelas notícias bizarras com um tom sério demais, ou seja, no formato de um noticiário. Por isso nunca mais o fiz.


Mas está agora no programa “Dia a Dia” da televisão?

É diferente. É um programa em que trata de questões sérias do quotidiano. Já programas como o “Dicas e Dicas” necessitam de alguém mais solto, mais à vontade e, eu não consigo enquadrar-me nesse perfil de apresentadora.


Fale nos um pouco da experiência na TV Zimbo.

Estive lá a fazer uma formação mas depois a TPA2 fez -me uma proposta bem melhor e, resolvi ficar. Estava prestes a ser um dos rostos da nova televisão, mas como sabe, tive de ser profissional e escolhi a TPA e a RNA. Foi na RNA que eu apareci, onde evolui, onde fiz o meu percurso. Tenho uma ligação muito forte com a Rádio Nacional, em particular com a Rádio Luanda, o amor da minha vida. É lá onde quero continuar a trabalhar.


Isto quer dizer que não quer apresentar noticiários televisivos?

Quero, porque não! Como disse quero as estrelas se possível. E tudo farei para as alcançar (risos).

 

Perfil

Nome: Mara Dalva Delgado Van- Dúnen

Naturalidade: Luanda

Idade: 29 anos, feitos no dia 20 de Junho. Queridos(as) quero o meu presente agora. (risos)

Estado civil: Comprometida

Hobbies: Dançar, ler, música, Já tentei cantar mas reparei que não tinha jeito e desisti. (risos)

Filmes: Não sou cinéfila

Livros: Estava a ler a obra de Marian Keys, Casamento Não. Adoro os livros de Sidney Dalton, já li toda a colecção. Mas o último que li e recomendo é Carta para Maridos Temerários, de Diakazembe

Gosto nas pessoas: Garra, ambição e sinceridade

Detesta nas pessoas: Cinismo e espírito derrotista

Qualidades: Simplicidade

Defeitos: Sou teimosa e muito mimada

Razão para viver: Minha filha Lukénia Maíza. Tem apenas dois anos, mas é a razão pela qual vou trabalhar todos os dias

João Armando e Joel Costa


Pensar e Falar Angola







 
 
 
Posted by Toke

Pensar e Falar Angola

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts with Thumbnails

O Blogue do Ano

O Blogue do Ano
JC Carranca tenta listar todos os blogues que falam e Angola. Todos?!? Eheheh...

Pensar e Falar Angola

Livros Angola Livros Angola Angola Livros Angola Livros

Rádio AnimAdão

Rádio AnimAdão - As noites de Luanda têm música e um gosto muito especial. Desde que dêm para um pé de dança, as damas fazem a "ventoinha" e os cavalheiros acompanham. Vamos dançar? Este Podcast, onde se ouvem músicas angolananas e não angolanas que tocam nas pistas das discotecas de Luanda, é dedicado a duas das mais famosas discotecas-boîtes de Luanda: o Animatógrafo e a boîte Adão. Sempre a bater, estas duas discotecas atravessaram épocas, algumas bem difíceis, levantando sonhos, ilusões e o astral de muito folião noctívago.



Kuduro de Angola
Batidas do Puro Gueto!



Zumbi Albino - Techno Trance from Angola

Tessalonissenses é um projecto musical nascido em Luanda-Angola, criado por Michel (Weather dos Ácidos) que é o cêrebro atrás da instrumentalização. Junto com Vanuza (Overkill Punk dos Ácidos) que era a vocalista principal, iniciaram o que era assim o "overstate reason" musicalmente, fundindo poemas metafísicos com electro-psicadélico. As primeiras experiências como “A estrada de Enoque”, “As faltas no cemitério” e “A Embaixada Apache U.R.S.S.”, alcançavam um certo extremo radical sonoro, onde tempos diferentes se fundiam para criar um só contratempo. Vanuza deixou os Tessa para cumprir uma jornada activamente mais religiosa, mas até à sua viagem colaborou com os Tessa também na edição do seu segundo projecto “A Cirurgia Vegetariana”, o qual era uma mixagem de rock tribal com techno. “No Caminho da Mutação” outro álbum tessalónico inédito muito mais agressivo, uma mixagen de gótico com techno. Bateria alta e poderosa, por cima dos sintetizadores TSH tocando sequências em longas catedrais, e as vezes até, complementando um baixo jazzístico. O novo projecto nasceu de músicas como “Pássaros Acabam na Panela”, “Technophorum”, e “No Caminho da Mutação” que deram uma influência mais dançante ao novo projecto.

EPM
Electronic Psychedelic Music
"O universo é o oceano das nosas mentes"

"The universe is the ocean of our minds"
A Embaixada Apache U.R.S.S.

"De penas coloridas e missangas penduradas na Embaixada Apache O nosso velho que cavalga nas montanhas dos himaláias com as suas peles enroladas ao pescoço. "U.R.S.S." diz o seu crachá, que foi presente ganho do seu avô general lá no exército da outrora, o nosso índio sempre se orgulhará. A Embaixada Apache U.R.S.S. Sua tribo ao pé do rio quando desagua no mar ao vento vai refrescar-se sempre de manhã. Esporas colombianas e seu cinturão de couro, cabedal desfiado, suas pantalonas. Seu soviético idioma nunca esquecerá na Índia, E pergunta-me, porquê que os heróis só são lembrados no dia da sua morte e não no dia do seu nascimento?! O indiano da Embaixada Apache U.R.S.S."
Poem by Vanuza (blue rose overkill punk)

Muximangola Arquivo

Hora angolana